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O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), por meio da Secretaria de Bem-Estar Social e Saúde (Secbe) e com o apoio do Setor de Promoção da Qualidade de Vida no Trabalho (Setvid/Nusao/Coasa), realizou o segundo encontro do “Programa de Planejamento para Aposentadoria dos Servidores do TRF1”. A palestra ocorreu na última sexta-feira, 5 de dezembro, conduzida pela psicóloga Cristineide Leandro França. O evento foi transmitido on-line via plataforma Microsoft Teams e canal do TRF1 no YouTube.
Com o tema “Saúde mental, desacelerar e desapego”, a palestra fez parte da ação que tem o objetivo de promover a reflexão sobre os novos significados da aposentadoria e sobre os principais elementos que contribuem para uma longevidade ativa, além de apoiar servidoras(es), prestadoras(es) de serviço e estagiárias(os) da Justiça Federal da 1ª Região na construção de uma aposentadoria consciente, saudável e com propósito.
Na abertura da palestra, a psicóloga Cristineide se apresentou como mãe, filha e esposa. “Não sou apenas psicóloga, o trabalho representa uma parte da minha vida, mas não me define totalmente. Então, começo pedindo a vocês para refletirem – quem são vocês? São pais, mães, avós, artistas, amigos? Tirando o papel do trabalho, o que resta? Quem eu sou além do TRF1?”, questionou.
A especialista falou que apesar do importante pilar que o trabalho representa na vida das pessoas, é necessário panejamento para a chegada da aposentadoria. “O trabalho nos molda, nos constrói, nos dá prazer e reconhecimento, mas um dia teremos que deixá-lo ir embora, e para que isso não seja um sofrimento estamos aqui falando sobre saúde mental e desapego”, disse.
Cristineide Leandro França explicou que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde mental é definida como um estado de bem-estar em que a pessoa consegue enfrentar as dificuldades normais da vida, trabalhar de forma produtiva além de estar ciente de suas próprias habilidades e ser capaz de contribuir para sua comunidade.
Para ela, o conceito de saúde mental é ainda mais complexo e tem percepção individual. “Para mim, saúde mental é ter tempo livre para fazer as coisas que eu gosto, ler meus livros, tocar violão; são coisas que dão sentido à minha vida. Tem a ver com os meus valores e crenças. Não é um conceito estático”, definiu.
Nesse sentido, a psicóloga propôs aos participantes a reflexão sobre cuidado com a saúde mental baseada nas perguntas: “ter saúde mental para mim neste momento da minha vida é?” e “ter saúde mental quando eu me aposentar é?”. A palestrante recomendou estratégias utilizadas pelos participantes e que tenham ajudado, por exemplo, amigos e familiares a lidarem com situações difíceis da vida.
Ansiedade e Depressão
Cristineide apresentou dados da OMS de 2023 e do Ministério da Previdência Social de 2024 que apontam a posição de destaque do Brasil na atual epidemia global de ansiedade. De acordo com as informações trazidas por ela, cerca de 26,8% da população brasileira já recebeu diagnóstico médico de ansiedade e, aproximadamente, 12,7% de depressão. Dos 26,8% com ansiedade, o percentual de mulheres é de 34,2% versus 19,5% de homens. Entre a população global com 70 anos ou mais, 14,1% vivem com depressão e ansiedade.
Nesse contexto, a especialista falou que as perdas, como o luto e a “síndrome do ninho vazio” (quando os filhos saem de casa), se refletem na saúde mental durante a fase da aposentadoria. “Os jovens estão mais ansiosos que as pessoas maduras que, em contrapartida, estão mais depressivas”, disse. A palestrante ressaltou que a pandemia de Covid-19 gerou um crescimento na ansiedade e no medo.
“Depressão mascarada”
Segundo a psicóloga, entre os sintomas ocultos da depressão estão dor de cabeça, musculares, gastrointestinal e por todo o corpo; dificuldade em focar, cansaço e irregularidade no padrão do sono, o que reduz os níveis de energia e afetam a concentração, foco, raciocínio, causando fadiga mental; falta de paciência, insatisfação e sensação de se sentir no limite que resultam em impaciência, grosseria, raiva e irritabilidade; e pensar que é inútil e culpado: a depressão provoca distorções da realidade, tornando os pensamentos negativos em verdades absolutas, como crenças de incapacidade, inutilidade e culpa.
“Nem sempre é só chorar. A irritação e a raiva que você não sabe de onde vêm, não sabe por que está se sentindo assim, podem ser sinais de depressão mascarada que estão te afetando”, alertou a psicóloga.
Negação, barganha, raiva, depressão e aceitação são as fases do antes e durante a aposentadoria, segundo a palestrante. Cristineide explicou que essas fases podem se repetir. “Existe um luto quando perco o emprego, quando me divorcio, quando o filho sai de casa. É vínculo. Na aposentadoria, tem um luto em que a pessoa passa por essas fases emocionais”, afirmou.
Desacelerar: ensaio do desapego
Para a psicóloga, desacelerar é um exercício e por isso tem que vir antes do desapegar. “Se você está num processo de transição para aposentadoria, é necessário desacelerar, por exemplo, deixando um cargo de chefia, assumindo menos funções”, exemplificou.
Ela informou que 43% da população brasileira vive em um ritmo de vida duas vezes mais acelerado do que o normal. Apenas uma em cada dez pessoas sente que tem um ritmo de vida calmo. Alguns dos fatores que contribuem para a “correria” seriam “aceleração social do tempo”, sensação de que tudo está ocorrendo mais rapidamente; o estilo de vida da era digital com excesso de informação e a cultura da produtividade.
“A forma como a sociedade tem lidado com o tempo com objetivo de produzir mais pode gerar um aumento de adrenalina e cortisol (hormônios do estresse), que podem vir a desencadear ansiedade e depressão”, alertou Cristineide.
Segundo números do Datafolha apresentados pela palestrante, viver em ritmo acelerado aumenta em 136% a sensação de realizar tarefas em modo automático. Ainda de acordo com a fonte trazida pela psicóloga, 4% da população brasileira sente que falta tempo para fazer o que gosta; 26% assistem a vídeos ou ouvem áudios em velocidade acelerada e 82% concordam que gostariam de viver de forma mais artesanal.
Já no encerramento da palestra, a especialista propôs mais uma reflexão aos participantes: “o que realmente está sendo aposentado, você ou apenas seu cargo? Estamos tão misturados à nossa identidade ocupacional que pode ser muito difícil desapegar; então o que é necessário desapegar nesse momento da vida de vocês para que possam viver uma aposentadoria bem-sucedida?”.
Cristineide Leandro França é doutora e mestra em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), com doutorado na Holanda (2015). É psicóloga da UnB, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, Psicopedagogia e Terapeuta Narrativa. Tem experiência em saúde mental, educação para aposentadoria e envelhecimento ativo. É pesquisadora no Grupo de Estudo em Prevenção e Promoção da Saúde Mental no Ciclo da Vida (GEPPSVida) da UnB.
Fonte: https://www.trf1.jus.br/trf1/noticias/desacelerar-para-desapegar-live-do-trf1-discute-fases-emocionais-da-aposentadoria-




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